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13/02/2021

Ícone da arte Naif, Miguelzinho tem telas espalhadas pelo mundo.

A infância feliz, marcada por banhos no rio de águas cristalinas aonde se pescava dourados de dar inveja e o estilo de vida simples do começo do século passado estão registrados nos trabalhos do arquiteto e artista plástico Miguel Sampaio de Souza e Silva. Ícone da chamada “Arte Naif”, que se traduz pela liberdade de criação e traços inocentes, ele segue imortalizando um tempo que não volta mais em telas espalhadas pelo Brasil e exterior.

 

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Degradação ambiental na zona sul

 

Aos 76 anos, Miguelzinho, como é conhecido, formou-se em Arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo (USP), em 1972, após ter cursado dois anos de artes plásticas na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), tendo se aposentado, em 2009, após uma longa carreira no Governo do Estado de São Paulo.

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O artista finaliza obra no ateliê de casa

 

Mariliense, ele tem os traços inconfundíveis no DNA: seu pai, Miguel de Souza e Silva, foi o primeiro arquiteto da cidade, segundo o artista, que fala com orgulho das centenas de obras projetadas pelo mestre. “Comecei desenhando para o meu pai, aos 13, 14 anos”, recordou Miguelzinho ao responder quando a arte o capturou.

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Memórias de infância registradas na tela

 

Os desenhos que fazia como auxiliar do pai o desafiavam cada vez mais. Como gostava de desenhar e pintar, até chegar ao óleo sobre tela foi um pulo. Nos anos 70, Miguelzinho já havia se rendido a esta paixão passando a criar obras cada vez mais instigantes em que reproduz o clima bucólico das cidades interioranas e a vida na zona rural.

 

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Mais de 30 obras decoram a casa

 

Desse caldeirão de memórias surgiu seu personagem mais famoso: “José dos Campos”. O artista fez uma sequência de 12 telas em que mostra o “José” desde a gestação. Um dos quadros tem a mãe do personagem, grávida, estendendo roupas no varal. Com os pinceis e uma inconfundível combinação de cores e texturas, Miguelzinho narra diferentes momentos da vida do “José”, até o êxodo rural, quando troca o campo pela cidade.

 

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PROCESSO CRIATIVO

 

Em média, o artista pinta uma tela por mês. Com o isolamento social, acompanhado apenas da esposa, Magué Puerto, ele fica recluso na residência que mais parece uma galeria de arte. Seus trabalhos estão espalhados pelos vários cômodos da casa confortável no bairro Salgado Filho. São mais de 30 telas em que ele faz questão de contar a história por trás de cada obra.

 

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Entardecer na Vila

 

Conforme disse, “pintar é como fazer um projeto de arquitetura. Só que no projeto de arquitetura você vai conversar com o cliente e tirar tudo dele para saber como vai querer a casa. Com o quadro, tenho a ideia que vai aumentando até chegar num pré-projeto que faço à lápis no papel. É um estudo, como na arquitetura. Depois do estudo vai para o projeto que é o quadro”, explicou.

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Galeria na sala da residência

 

Além das plantações de café e de algodão de outrora, da vida simples de personagens da zona rural, dos prédios antigos e ruas estreitas do início de Marília, Miguelzinho também manifesta em seus trabalhos a preocupação ambiental. Entre suas criações há uma tela que denuncia a degradação de áreas de preservação.

Na legenda que acompanha o quadro, Miguelzinho explicou em uma postagem no Facebook: “O nome dela é ‘Itambé da Zona Sul de Marília ruindo’. Esse nome veio da falta de permeabilização do solo no local onde deveria ter, segundo o Plano Diretor, o Parque dos Itambés, proibindo a construção desde 100 metros da ruptura. Essa parte foi retirada por emendas do Plano Diretor, daí a água que desce vai corroendo o arenito dos paredões”.

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Alegria: netinhos Helena e Davi

 

Perguntado sobre a sensação ao concluir um quadro, o artista a comparou ao nascimento de um filho. No seu caso, muitos filhos: ele calcula ter produzido em torno de 1.500 trabalhos, a maior parte vendida para colecionadores no Brasil e também de vários países que entram em contato pelas redes sociais. Tem até galeria da Rússia entre os seguidores do artista.

Sempre bem humorado, Miguelzinho não transferiu para as telas o sofrimento dos tempos de pandemia. Ele disse que sente muita falta do contato com a família, revelando que foi conhecer o último neto na calçada de casa, quando o bebê já tinha dois meses. Além disso, o happy hour com a esposa Magué migrou do tradicional restaurante de Marília para o quintal da residência.

 

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Miguelzinho com a esposa Magué

 

Protegendo-se contra o vírus na reclusão do lar, o artista solta a imaginação e exercita sua criatividade espalhando cor e alegria. Empregando como principal matéria prima as memórias da infância, Miguelzinho, sem querer, faz o tempo congelar para quem tem o privilégio de admirar, ainda que por alguns instantes, a beleza de suas telas.

 

Para entrar em contato com o artista, o e-mail é msampaioss@gmail.com

e telefone (14) 9 9601-2059.

No Facebook, seu perfil é: https://www.facebook.com/miguel.sampaio.100

 

Leia matéria original em: https://mariliasustentavel.blogspot.com/search?q=miguel+sampaio